terça-feira, 25 de setembro de 2012

A "FILA", a "FICHA" e/ou "SENHA" no SUS...


Participar de uma fila de espera na porta de Postos de Saúde e de hospitais, fazem parte da minha lembrança desde minha mais tenra infância. Quantas vezes saímos eu e minha mãe, na madrugada, para chegar cedo ao Posto de Saúde – por volta de 4 ou 5 horas da manha (O Postinho só abria as 8 horas), se não chegasse cedo não conseguia mais “ficha” para o médico. E assim lá íamos nós, cedinho para não ter que correr o risco de voltar no dia seguinte.
Depois de uma longa espera e 5 minutos depois do horário definido no cartaz que apontava o expediente da UBS,  finalmente a porta do Posto de Saúde abria e a pessoa que abria dizia em tom de voz nada agradável, para aquela hora da manhã:
- Os hipertensos podem entrar e ficar na minha esquerda!
- As grávidas que já estão cadastradas no programa, podem entrar e ficar na minha direita!
- Fichas para o Médico façam uma fila por chegada...
- Atenção, só tem 20 “fichas” para o médico, quem não pegar pode voltar amanha!
Apesar de saber que felizmente este tipo de situação já não acontece na grande maioria da Rede SUS, ela ainda se faz presente em muitas das Unidades Básicas de Saúde por esse Brasil a fora.
Para muitos profissionais e Gestores, ter a fila na porta da UBS ainda é um ato considerado “normal” e corriqueiro. O pior é descobrir que ninguém mais liga para este assunto. Constatar que pessoas ainda trazem colchonetes para chegar cedo na porta da UBS e literalmente dormir ali, faz parte do “modelo”, cantado em verso e prosa seja por profissionais e como costumo dizer “proseado” por Gestores que vivem na “zona de conforto” do seu gabinete e jamais presenciaram e conviveram com este tipo de situação com os usuários.
A bem da verdade, a cultura da “ficha” ou “senha” é uma herança que a rede de prestadora de serviços do SUS, herdou do antigo INAMPS, em função das “facilidades” que ela oferece para quem presta serviços. Adotar o critério de acesso aos serviços básicos de saúde pelo principio da “ficha” ou “senha” é um “jeitinho” de facilitar a vida de quem atende, ao invés de facilitar a vida de quem vai ser atendido (o usuário).
É só lembrar a pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, que aponta o horário entre 08 e 11 horas da manhã como o período no qual acontece 80% de tudo o que  é realizado no âmbito da Rede de Unidades Básicas de Saúde do SUS.
Há pelo menos uns 2 ou 3 anos que venho lidando com a organização do acesso dos usuários na Rede Primária de Atenção. Não foram poucas as vezes em que tive que superar enormes e complicados conflitos com as coordenações de equipes de UBS, quando propúnhamos a eliminação da ficha e senha. Hoje felizmente, já não é apenas a “nossa” fala. A introdução do Programa de Melhoria de Acesso e Qualidade da Atenção Básica, fez com que o Usuário seja a prioridade no atendimento eliminado esta nefasta herança, que produz desgastes e joga na vala comum toda a rede de serviços públicos de saúde.
Claro que não se pode racionalizar de forma simplista um problema de tal envergadura que é a organização de serviços de saúde e especialmente o atendimento médico. Certamente que o “volte amanha que hoje não tem mais lugar” só vai ser extinto quando o Gestor de fato der atenção no processo de qualificação dos profissionais, fazendo sua parte de investimento e treinamento, capacitação e organização de protocolos operacionais que garantam a qualidade do serviço oferecido.
Para não ficar só falando da ficha e da senha, há ainda outros procedimentos arcaicos no modelo de atendimento do SUS; Por que não se marca hora para os usuários do SUS na Consulta Médica? Por que todos os pacientes da agenda do dia, são orientados para chegarem a “partir de 7 horas” na UBS? Como é possível fazer uma pessoa portadora de  uma patologia crônica, já com sua idade avançada, acordar no escuro e pegar duas ou três  conduções para fazer uma consulta médica que só vai acontecer seguramente depois das 10 horas da manha? Como é que os Planos de Saúde Privados conseguem atender todos os seus associados com hora marcada?
Não é possível que não exista um meio mais “humanizado” para organizar este cenário. Se não é possível (sic) organizar uma agenda de 15 em 15 minutos (tempo que dura uma consulta), por que não organizar agenda de 1 em 1 hora, o que faria o usuário ter que esperar apenas uma ou duas horas.
Finalmente, resta mencionar uma outra herança do INAMPS, que ainda está presente em muitos pontos de atendimento da Rede SUS: descumprir com o horário de abertura de porta!
O Usuário costuma chegar cedo na unidade. Na porta de entrada ele se depara com o aviso: Inicio do Expediente: 07h00!
Evidentemente que não tenho a intenção de racionalizar o tema aos conflitos relacionados. Lógico que é necessário ir no conflito maior, que precisa ser reconhecido e debatido no âmbito das três esferas de comando do SUS: a disponibilidade, o papel e a “conduta” do profissional da medicina no âmbito do SUS.
Como garantir que o profissional contratado para realizar 40 horas, efetivamente trabalhe?
Essa é a pergunta principal. Mas ela deve ser estendida também aos outros profissionais que compõem a rede prestadora, especialmente a de Atenção Primária.
Quanto deve ser o salario de um Médico? Como garantir que Municípios de pequeno porte tenha condições de recrutar e contratar profissionais da medicina?
Neste período eleitoral, saúde sempre é discursada como prioridade, mas ai vem a posse dos prefeitos e a realidade constatada. E de novo o discurso da prioridade política é substituído pelo discurso da “gestão” do orçamento. E neste caso, quase sempre o SUS vira um fardo, ao invés de uma política local que agregue valor político.
Falta de Médico, será sempre o principal problema do SUS, seja num município de pequeno porte, seja num de grande porte que concentre tecnologia. Só vamos resolver este assunto quando o Gestor Federal de fato resolver assumir a solução de uma Política Nacional de Remuneração e Carreira que considere por principio a vinculação efetiva das faculdades públicas com a prestação de serviço no âmbito do SUS. Ou seja, se um médico se forma com recursos financiados pela sociedade, nada mais justo do que ele prestar serviço por 1 ou 2 anos na Rede Primária de Atenção em locais determinados pelo Gestor Federal e/ou Estadual. Essa é apenas uma das questões. Ficha e Senha? O INAMPS, está mais presente do que você imagina.
Norival R Silva
Consultor Sênior
Setembro de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Cartilha vai divulgar à população os serviços oferecidos nos postos de saúde de Umuarama - PR


Há quase 20 anos atuando no Sistema Único da Saúde (SUS), com experiência em gestão de pequenos e grandes municípios, A Gestão Saúde através do seu Consultor Sênior Norival R Silva, iniciou nesta quinta-feira um trabalho com o grupo gestor da Secretaria de Saúde de Umuarama. O objetivo é construir um cardápio padrão com os serviços e programas de saúde do município e fazê-lo chegar às mãos da população, para que os usuários saibam como e onde ter acesso aos serviços oferecidos.
O prefeito Moacir Silva abriu a oficina, em uma sala de reuniões da Igreja São José Operário. Falando aos enfermeiros das unidades básicas (UBS), Estratégia em Saúde da Família (ESF) e coordenadores de unidades de média e alta complexidade, o prefeito pediu o empenho da equipe para melhorar o atendimento das 23 unidades de saúde de Umuarama.
“Reconheço a parabenizo o trabalho de cada profissional desta área, mas precisamos melhorar e o Norival estará aqui, ao lado do secretário José Gonçalves Dias Neto, para dividir um pouco da sua experiência. Em todas as administrações, a saúde é o setor que tem a maior cobrança da população, portanto precisamos corrigir eventuais falhas e aumentar a satisfação do usuário em todas as unidades”, afirmou Moacir Silva.
De acordo com o prefeito, a enfermeira é a responsável pelo atendimento no posto e deve resolver os problemas que surgem no dia a dia. “Quando não for possível atender um paciente, ela deve ter o devido encaminhamento para que não fique sem assistência. A enfermeira também deve acompanhar o cumprimento dos horários dos médicos, dentistas e demais servidores, para que o posto funcione corretamente”, acrescentou.
Moacir destacou que hoje, graças aos investimentos feitos e a prioridade com que a saúde é tratada em Umuarama, não faltam remédios, materiais, equipamentos, veículos e nem pessoal na área. “A saúde nunca esteve tão bem estruturada. Realizamos a maior contratação de servidores, através de concurso, desde 1991. Nos últimos três anos, quase 660 novos funcionários públicos foram contratados pelo município, em diversas áreas. Em breve, mais 23 médicos passam a integrar o quadro profissional. Mas precisamos dinamizar os serviços para que esta estrutura seja bem utilizada e satisfaça às exigências do usuário”, completou.
AGILIDADE

Dinamizar os serviços de saúde é o objetivo das oficinas, que serão realizadas com a assessoria do pedagogo e palestrante Norival. Segundo o secretário Gonçalves Dias Neto, o consultor vai prestar assessoria por 12 meses. “Ele nos ajudará a divulgar melhor a política municipal de saúde, contribuindo para padronizar os procedimentos e profissionalizar ainda mais a gestão, trabalho que temos feito desde que assumi a secretaria”, lembrou.
Até julho, a Secretaria da Saúde deve ter uma cartilha com os serviços prestados, os locais de atendimento disponíveis em cada área e os procedimentos que o usuário deve adotar para ser atendido com maior agilidade. “Essa cartilha deverá será entregue em todas as quase 40 mil unidades residenciais de Umuarama, para que toda a população esteja bem informada”, completou Gonçalves.

domingo, 6 de maio de 2012

PESQUISA IPEA DEMONSTRA QUE O SUS É BEM AVALIADO POR QUEM UTILIZA O SERVIÇO


Uma nova edicação de Pesquisa realizada pelo IPEA, mostra a avaliação dos brasileiros sobre a saúde no país.

Luciana Mendes, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, apresentou o SIPS-Saúde em Brasília
O Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre saúde, divulgado nesta quarta-feira, 9, na sede do Ipea, em Brasília, aponta que, na opinião de 28,9% dos entrevistados no Brasil, os serviços públicos de saúde prestados pelo SUS são muito bons ou bons. Proporção semelhante dos entrevistados (28,5%) opinou que esses serviços são ruins ou muito ruins, enquanto 42,6% os consideraram regulares. 
Os resultados mostram que os serviços do SUS são mais bem avaliados por aqueles que costumam utilizá-los, quando comparados com aqueles que não os utilizam. Segundo o estudo, entre aqueles que tiveram alguma experiência com os serviços do SUS nos últimos 12 meses, a proporção de opiniões de que esses serviços são muito bons ou bons foi maior (30,4%) do que entre o outro grupo (19,2%).
A proporção de opiniões de que os serviços prestados pelo SUS são ruins ou muito ruins foi maior entre os entrevistados que não tiveram experiência com algum dos serviços pesquisados (34,3%), em comparação com aqueles que tiveram (27,6%). Apesar disso, em ambos os grupos predominam as avaliações dos serviços como “regulares”.
A técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea Luciana Mendes Servo explicou que, apesar de a pesquisa não ser uma avaliação técnica, as informações sobre a percepção dos entrevistados pode ajudar os gestores a discutir que respostas precisam ser dadas.
Avanços e dificuldades
O SIPS indicou também que o atendimento pela Equipe de Saúde da Família (80,7% das respostas) e a distribuição gratuita de medicamentos (69,6%) são os serviços mais bem avaliados. O principal ponto positivo do SUS, de acordo com a percepção dos entrevistados, é o acesso gratuito aos serviços de saúde prestados pelo sistema (52,7%), seguido, nesta ordem, pelo atendimento universal (48,0%) e pela distribuição gratuita de medicamentos (32,8%).
Já os problemas mais mencionados são a falta de médicos (58,1%), a demora para atendimento nos postos/centros de saúde ou nos hospitais (35,4%) e a demora para conseguir uma consulta com especialistas (33,8%). Os dados correspondem com as melhorias mais sugeridas pelos entrevistados: aumento do número de médicos, seguida pela redução do tempo de espera.
A pesquisa
Os resultados do estudo referem-se à percepção dos entrevistados sobre os serviços. Ressalta-se que o objetivo dessa pesquisa foi tão somente fazer um levantamento da percepção da população sobre o SUS, especialmente a respeito de alguns serviços. Não havia intenção de analisar, de forma mais abrangente, e exaustiva, se efetivamente o acesso aos serviços no SUS é ou não oportuno, se é ou não resolutivo, nem avaliar diretamente a qualidade dos serviços.  Em síntese, os resultados apresentados não derivam de uma avaliação técnica do Ipea, mas sim da percepção dos entrevistados em relação ao SUS.
Os dados para a realização do SIPS Saúde foram coletados no período de 3 a 19 de novembro de 2010, nos domicílios dos entrevistados. O questionário foi aplicado a uma amostra de 2.773 pessoas residentes em domicílios particulares permanentes, em todas as unidades da federação.
A amostragem considerou a distribuição dos domicílios em cotas para Brasil e regiões e as variáveis de controle validadas posteriormente: sexo, faixa etária, faixas de renda e escolaridade.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SISTEMA DE SAÚDE DE INDAIAL AGORA COM PRONTO ATENDIMENTO ATÉ 22 HORAS


A saúde é um dos direitos fundamentais do ser humano. Muito mais do que a ausência de doenças, ela pode ser definida como qualidade de vida. Com essa visão a Prefeitura de Indaial, através do prefeito Sergio Almir dos Santos (Serginho) e do secretário de Saúde, Enilson Erley de Freitas está trabalhando para melhorar e qualificar o atendimento à saúde dos indaialenses.

Para tanto, a Administração Municipal definiu que a partir do dia 19 de março, entra em fase experimental, o Pronto Atendimento no SAIS. Ou seja, a partir dessa data será ampliado o horário de atendimento ambulatório, clínico e da farmácia básica. O secretário explica, que das 7h às 17h30min serão realizados todos os procedimentos de competência do SAIS, que são: Consultas médicas especializadas; Consultas em fonoaudiologia; Consultas em psicologia; Consultas de enfermagem; Atendimentos sociais; Eletrocardiograma; Audiometria; Pequenas cirurgias; Procedimentos de enfermagem (curativos, nebulização, aplicação de medicamentos, etc.); Farmácia Básica com 139 itens de medicamentos disponibilizados a população, sendo 61 do Ministério da Saúde e 78 ofertados pelo município, além do encaminhamento de solicitações de medicamentos de média e alta complexidade para a Secretaria de Estado da Saúde; Tratamento Fora de Domicílio (transporte em veículo ambulância, transporte para atendimento nos municípios de referência, agendamento de exames de média e alta complexidade para os locais de referência) e Serviço de Controle Avaliação e Auditoria. Após esse horário, das 18 às 22 horas serão realizados apenas atendimentos de urgência e emergências; atendimentos clínicos e ambulatoriais. “Teremos profissionais médicos e enfermagem para fazer a avaliação do paciente e o encaminhamento, se necessário, para o Hospital de referência, ou para acompanhamento das Unidades de Saúde”, explica o secretário ao informar que o serviço que será realizado neste horário, de segunda à sexta-feira, foi terceirizado, através de processo licitatório e a empresa vencedora disponibilizará os profissionais para atender no Pronto Atendimento.

Freitas afirma que para dar suporte aos atendimentos a secretaria estará disponibilizando profissionais que atenderão na Farmácia Básica, para a entrega dos medicamentos aos pacientes atendidos.

terça-feira, 17 de abril de 2012

POST: BOM ATENDIMENTO MERECE PRÊMIO?

No ambiente do Serviço Público, como na área da Saúde, o Bom Atendimento agora é motivo de INCENTIVO FINANCEIRO! (Prêmio);
E o "mau" Atendimento terá a responsabilização?
Norival Silva
Consultor Sênior