quinta-feira, 5 de maio de 2011

UM INDICATIVO DE QUE LEGISLAÇÃO DO SUS AINDA NÃO É CONHECIDA

Uma prova de que a legislação, especialmente as normativas editadas através de Portarias do Ministério da Saúde, não são reconhecidas ou conhecidas pelos órgãos de Controle Externo foi a decisão do Tribunal de Contas da União que, apreciando as contratações de serviços de saúde realizadas pelo Município Fluminense de Campos dos Goytacazes, recomendou que é irregular a contratação mediante o credenciamento ou chamamento público, com base em uma tabela de procedimentos previamente fixada pelo gestor do sistema municipal de saúde.

A decisão que está sendo objeto de recurso, é contrária äs próprias normas citadas por aquele tribunal, uma vez que se reporta, em sua decisão ä Portaria/Gabinete do Ministério da Saúde de número 1034/2010, quando este ato normativo orienta para que as contratações se embasem no "Manual de Orientações para Contratação de Servi;cos de Saúde no SUS", disponível no endereço eletrônico do Ministério da Saúde - http://www.saude.gov.br/sas, e que permite tal modalidade de contratação de serviços de saúde.

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DOENTE DE MENTIRA - II

NÃO CONFUNDIR:

Hipocondria: aqui, a pessoa não cria sintomas, mas exagera os pequenos sinais que apresenta

Transtorno conversivo (histeria):

O paciente sofre desmaios, convulsões ou perdas sensoriais como surdez e cegueira repentinas, mais sem que os sintomas tenham razão clínica. Diferente do que ocorre na síndrome de Münchhausen, aqui o paciente não sabe que tem uma doença imaginária (sua motivação é inconsciente)

CARACTERÍSTICAS DO PORTADOR DA SÍNDROME:

  • Descrição fria e sem emoção dos próprios sintomas;
  • Marcas no corpo de diversas cirurgias;
  • Demonstração de grandes conhecimentos médicos;
  • Histórico de várias internações em diferentes hospitais.

MAIS DO QUE UMA MENTIRA

O psiquiatra Wagner Gattaz, presidente do Instituto de Psiquiatria do HC, foi quem tratou a paciente descrita no início deste texto.

Mas o caso é exceção à regra, diz ele, porque a maioria desses doentes de mentira nem chega ao psiquiatra. “Quem os recebe, quase sempre, é o clínico”, diz Gttaz. “Se a pessoa é descoberta, foge antes de ser encaminhada a tratamento psiquiátrico.”

Gattaz distribuiu cópias de seu estudo com essa paciente para alertar profissionais do hospital sobre o transtorno. “Muitos desses pacientes seguem não sendo diagnosticados”, afirma ele.

Para Gattaz, o maior problema é o médico tratar esse tipo de paciente como um mero simulador, e não como o portador de um transtorno.

INTERNET É O AMBIENTE PERFEITO PARA INVENÇÕES

A internet favorece os portadores da síndrome de Münchhausen, segundo Marc Feldman, professor de psiquiatria na Universidade do Alabama e responsável por cunhar o termo “Münchausen pela internet”.

“Com a rede é possível atingir até milhares de pessoas, enquanto que na forma tradicional da síndrome são poucos os ludibriados”, disse à Folha, por e-mail.

Feldman, que escreveu o livro sobre o transtorno “Playing Sick” (não traduzido), afirma que o anonimato na rede seduz o paciente.

“Se a mentira for descoberta, a pessoa pode rapidamente se “deslogar” e continuar em outra comunidade virtual, com uma nova história sobre alguma doença.”

“PRATO CHEIO”

O psiquiatra afirma que os portadores têm à disposição diversos grupos online como fóruns de saúde e redes sociais nos quais encontram o tempo e a atenção desejados.

Para o psicólogo Cristiano Nubuco, coordenador do programa de dependentes de internet do Instituto de Psiquiatria do HC, a rede social Orkut pode ser um terreno fértil para essas pessoas.

“Dá para garantir o anonimato e exagerar os sintomas, despertando a piedade.”

A internet ajuda o portador a mentir também fora do ambiente virtual.

“Com a internet fica fácil descobrir sintomas e enganar o médico”, diz a psiquiatra Ana Gabriela Hounie. (GG)

DOENTE DE MENTIRA!

"Vagando por hospitais, pacientes com síndrome de Münchhausen inventam doenças para receber cuidados, mas fogem quando descobertos".

A paciente chaga à emergência psiquiátrica dizendo ter pensamentos suicidas. Seu histórico clínico mostra que, nos últimos três anos, passou por outros 20 hospitais, com queixa que iam de dores abominais a embolia.

O seu problema real é síndrome de Münchhausen, transtorno mental que leva a pessoa a criar sintomas inexistentes para obter atenção.

São desconhecidas as razões que levam o portador do transtorno a procurar incessante atendimento hospitalar, muitas vezes se submetendo a procedimentos invasivos como laparoscopias e endoscopias. Há hipóteses.“São pessoas carentes, que precisam de cuidados e encontram no médico a obrigação de cuidar”, diz a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

“Não há um objetivo muito claro e não se sabe qual o ganho, mas a pessoa sente prazer colocando-se na condição de doente e se achando especial por ter uma equipe dedicada a ela”. Diz Hounie.“Imagine alguém que se coloca em situações de risco, fazendo diversas cirurgias. É uma forma patológica de conseguir atenção.”

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domingo, 11 de julho de 2010

TRÂNSITO GASTA R$ 390 POR MINUTO!

País gasta R$ 390 com vítimas de trânsito por minuto
Lei Seca completa 2 anos com alta de custos com internações de acidentados
Fernanda Aranda, iG São Paulo 18/06/2010 19:23
• Alegislação que prometeu endurecer as penas contra motoristas que misturam álcool e direção completa dois anos com pouca interferência na redução de gastos de saúde para tratar as vítimas de acidentes automobilísticos.
No primeiro ano da lei seca, o impacto foi positivo e as mortes caíram 6,2%, conforme divulgou o Ministério da Saúde. Entretanto, números levantados com informações mais atualizadas mostram que, no segundo ano de vida da lei, a quantidade de mortos e feridos voltou a subir, em patamares superiores aos registrados antes da lei.
Chamada de DataSus, a plataforma usada pela reportagem computa também os feridos em acidentes de trânsito. Foram feitos três levantamentos distintos, usando como corte o mês junho de 2008 (data da aprovação da lei seca) e abril de 2010, último mês disponível no DataSUS. Apesar de estarem disponíveis para consulta na internet, estes dados mais recentes ainda não foram analisados pelo Ministério da Saúde, informou a assessoria de imprensa do órgão.
As informações preliminares mostram que entre junho de 2009 e abril de 2010 – período de plena vigência da lei seca – foram consumidos dos cofres públicos R$ 153 milhões apenas para custear internações hospitalares de acidentados no tráfego brasileiro, uma média de R$ 390 por minuto (contra R$ 245 no primeiro ano da lei). No período, foram atendidas 122.068 vítimas de colisões, capotamentos e atropelamentos, quantidade 24,5% maior do que a registrada no mesmo intervalo de meses anterior. A lei seca entrou em vigor no dia 20 de junho de 2008.
Início
Logo que foi aprovada a medida projetou um alívio na demanda de pacientes que diariamente chegavam às unidades de saúde, pedindo socorro por causa de membros quebrados, colunas lesionadas e escoriações na pele, decorrentes das batidas. “O álcool é o principal vilão do acidente de trânsito. Quando a bebida faz parte do contexto, o potencial de alcance da batida é maior, são mais pessoas machucadas”, afirma o coordenador do pronto-socorro de urgência de Curitiba e da diretoria de campanhas de educação da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Marcelo Abagge. “Por isso, tivemos a impressão de que uma legislação como essa teria um impacto importante na redução de pessoas que dão entrada nos hospitais. Em Curitiba, cidade em que atuo, lamento dizer que o impacto foi nulo.”
Os dados mostram que o médico Abagge tem respaldo para sua decepção. De fato, no primeiro ano após a lei seca houve redução de 9,8% (informações do DataSus) entre os que acabaram mortos nas unidades de saúde por causa dos acidentes no tráfego (4.296 vítimas fatais de trânsito atendidas entre junho de 2007 e abril de 2008 e 3.912 pacientes entre junho de 2008 e abril de 2009). Mas no ano seguinte as estatísticas mostram fenômeno inverso, alta de 12,4% vítimas da violência no trânsito.
Trânsito que paralisa
A influência do álcool nos acidentes de trânsito já foi medida por várias pesquisas científicas. A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) trabalha com a estimativa de que três em cada dez traumas registrados têm a presença de um dos envolvidos alcoolizados. Um trabalho realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisou a dosagem alcoólica de motoristas e motociclistas que haviam morrido no trânsito. Os testes foram feitos no Instituto Médico Legal (IML) e constataram que 45% dos condutores haviam bebido no dia do acidente.
Os que sobrevivem às colisões também convivem com sérias sequelas. Muitos perdem a mobilidade e com ela a independência. A gravidade dos ferimentos é resultante da interferência que a bebida provoca nos reflexos. Por estes motivos, os tratamentos são longos e custam caro ao Sistema Único de Saúde (SUS) e unidades preparadas para reabilitação.
Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente (AACD), referência nacional no atendimento de pacientes com deficiência física, é duplo exemplo para sugerir o potencial de uma lei seca bem aplicada: os acidentes de trânsito continuam no topo do ranking de causas das lesões medulares dos pacientes atendidos, a razão de paralisias e tetraplegias. Além disso, a fila de espera de pessoas que precisam dos cuidados dos profissionais da entidade não cessa (o número, há dois anos, já chegou em 30 mil pacientes).
Segundo Marcelo Ares, gerente de reabilitação da AACD, no ano passado, dos 238 pacientes em tratamento por lesão medular, 70% perderam os movimentos do corpo por causas externas. Deste total, quatro em cada dez se machucaram no trânsito e as motos lideraram as ocorrências: 61% dos machucados estavam nas motocicletas.
Para Ares, o perfil de atendimento de cada local varia de acordo com as características de cada país. “Sabemos que na Índia, por exemplo, as quedas de árvores estão entre as principais causas de lesão medular e na Austrália os acidentes acontecem mais na prática de esportes. No Brasil, até três anos atrás, eram os ferimentos provocados por arma de fogo. Desde então, o trânsito ficou fixo como primeira causa.
Potencial perdido
O trânsito que paralisa tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas, além de servir como uma importante barreira na ampliação de serviços de saúde de qualidade, No ano passado, quando a redução de acidentes pós lei seca foi significativa em quase todo País, o Estado de São Paulo foi apenas um que reuniu exemplos concretos do potencial positivo da restrição do álcool e direção.
Segundo o governo local, foram economizados R$ 17 milhões com a redução de pacientes traumatizados no trânsito, verba que na época foi utilizada para equipar uma nova unidade de reabilitação de acidentados, a rede Lucy Montoro. Quase um ano depois, a unidade tornou-se referência justamente para vítimas machucadas nas ruas, avenidas e estradas.
Otimismo
O ortopedista do Rio de Janeiro e da direção da Sociedade Brasileira de Ortopedia, Sérgio Franco, é um dos assíduos defensores da legislação restritiva do álcool no trânsito, realiza várias pesquisas na área, e traz um sopro de esperança para melhorar o impacto da lei seca nas pistas brasileiras.
De acordo com ele, a efetividade da legislação varia de acordo com a fiscalização. “Funciona mais onde há mais rigor nas blitze”, diz. “De qualquer forma, a minha avaliação é que a medida restritiva já provocou mudança de comportamento, em especial na população mais jovem”, diz ele ao se referir ao levantamento feito pelo pesquisador com universitários do Rio e São Paulo.
Antes da lei, 37% dos entrevistados afirmaram não pegar carona com amigos que tinham bebido, índice que subiu para 80% após a legislação. Da mesma forma, 37% afirmavam não beber e dirigir, porcentagem que cresceu para 50%. “Toda mudança de postura é lenta, gradual e exige esforço. Essa é minha expectativa com a lei.”